10 de setembro de 2026

Justiça determina exame para avaliar estado mental de policial acusado de matar dois colegas em Delmiro

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Perícia deverá apontar se Gildate Góes tinha alguma alteração mental no momento dos homicídios; policial permanece preso preventivamente

Por Redação

A Justiça de Alagoas determinou que o policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho passe por um exame médico-legal para esclarecer sua condição mental na época em que os policiais Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira foram mortos, em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. A decisão foi tomada pela 1ª Vara de Delmiro Gouveia após a defesa solicitar a abertura de um incidente de insanidade mental.

Gildate está preso preventivamente desde 20 de maio e foi indiciado pelos dois homicídios. Denivaldo e Yago foram encontrados mortos a tiros dentro de uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, na região central do município. Ao analisar o pedido da defesa, a Justiça considerou que existem elementos suficientes para determinar uma avaliação especializada sobre o estado mental do policial no período em que os crimes ocorreram.

Um dos pontos considerados foi um relatório da própria Polícia Civil, que levantou a possibilidade de o acusado ter sofrido um surto psicótico após o consumo de bebida alcoólica. Pessoas próximas também relataram uma mudança repentina em seu comportamento. Durante o interrogatório realizado após os crimes, Gildate teria afirmado que não reconhecia as ruas da cidade onde morava.

Depoimentos prestados por pessoas próximas reforçaram as dúvidas apresentadas no processo. Uma companheira relatou que o policial estava com comportamento incomum, enquanto uma enteada afirmou que ele teria apresentado falas desconexas. A Justiça também considerou relevante o fato de a investigação ainda não ter apontado uma motivação clara para os assassinatos.

Segundo o inquérito, Gildate e os dois policiais mortos participaram de uma confraternização poucas horas antes dos homicídios. Até o momento, a investigação não teria identificado desavenças anteriores, planejamento ou conflitos entre eles que pudessem explicar o duplo assassinato. Para a magistrada, a mudança repentina de comportamento e a ausência de uma motivação aparente justificam a realização da perícia.

A decisão ressalta que o exame não significa que Gildate tenha algum transtorno mental ou que estivesse necessariamente em surto psicótico quando matou os colegas. A finalidade da perícia é verificar se havia alguma alteração em sua capacidade mental no momento dos fatos e se essa condição pode ter interferido em seu comportamento.

O exame será realizado por um médico do Centro Psiquiátrico Judiciário, com prazo inicial de 45 dias para apresentação do laudo. O resultado deverá ser considerado no andamento do processo. Mesmo com a determinação da perícia, a Justiça manteve a prisão preventiva do policial.