17 de agosto de 2026

MPAL denuncia empresa por ração contaminada que matou 80 cavalos em Alagoas

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POR REDAÇÃO COM ASSESSORIA

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou a empresa Nutratta Nutrição Animal S.A., o sócio majoritário e o administrador operacional e financeiro da companhia pela comercialização de ração que, segundo as investigações, estava contaminada e provocou a morte de 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia.

O prejuízo estimado para a propriedade chega a R$ 82,57 milhões. Diante da dimensão dos danos, o promotor de Justiça Ary Lages Filho pediu à Justiça o sequestro e a indisponibilidade de bens da empresa e dos administradores denunciados, incluindo imóveis, veículos, recursos financeiros e participações societárias, como forma de garantir uma eventual reparação.

Segundo o MPAL, análises e fiscalizações realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) identificaram substâncias tóxicas nas rações, entre elas a monocrotalina e alcaloides pirrolizidínicos. A investigação aponta que os contaminantes teriam chegado ao produto por meio de resíduo de soja impróprio para utilização na alimentação animal.

As vistorias também teriam identificado problemas no processo de produção, incluindo falhas no armazenamento dos insumos, ausência de separação adequada dos materiais e deficiência no controle da pesagem.

Ainda conforme o Ministério Público, a empresa começou a receber reclamações relacionadas ao produto em 24 de abril de 2025. A apuração interna, entretanto, teria começado somente cerca de três semanas depois, enquanto o recolhimento de parte dos lotes ocorreu em 5 de maio.

O MPAL sustenta ainda que os administradores tinham conhecimento da contaminação e, mesmo assim, mantiveram o fornecimento da ração. A denúncia também aponta o repasse de informações consideradas falsas em documentos técnicos apresentados pela empresa.

O caso ganhou dimensão nacional. Além das 80 mortes registradas no Haras Nova Alcatéia, a investigação aponta que pelo menos outros 284 cavalos morreram em diferentes estados após a utilização da ração contaminada.

Os denunciados deverão responder por crimes previstos na legislação ambiental e de defesa das relações de consumo. A denúncia será analisada pela Justiça, que deverá decidir sobre o prosseguimento da ação penal e os pedidos apresentados pelo Ministério Público.