Juiz afastado após beber vinho em sessão continuará recebendo salário
POR REDAÇÃO COM G1
O juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), continuará recebendo salário durante o período em que estiver afastado das funções e sob investigação. O magistrado foi afastado após ser flagrado bebendo vinho e fumando durante uma sessão virtual de julgamento.
O procedimento administrativo que apura a conduta é sigiloso e ainda não tem prazo definido para ser concluído. Segundo o TJMG, durante a tramitação da investigação os vencimentos do juiz permanecem sendo pagos, conforme as normas que regulamentam processos administrativos disciplinares envolvendo magistrados.
De acordo com dados da folha de pagamento do tribunal, Milton Lívio recebeu R$ 83.583,55 líquidos em junho de 2026. O valor corresponde à remuneração registrada naquele mês e pode variar conforme descontos e outros componentes da folha.
O afastamento foi determinado pela Corregedoria-Geral de Justiça de Minas Gerais e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na terça-feira (11). Além de deixar as funções, o juiz está impedido de acessar as instalações do TJMG para atividades funcionais e de utilizar veículos oficiais.
Durante a sessão virtual, o magistrado foi filmado consumindo vinho e fumando. Em determinado momento, ele também aparece acendendo um cigarro com um maçarico enquanto participava do julgamento.
Milton Lívio atua como juiz auxiliar de 2º grau no 4º Núcleo de Justiça 4.0 Cível Família, na segunda instância do TJMG. Ele também é titular da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte há 17 anos. Com o afastamento, os processos sob sua relatoria serão redistribuídos.
O magistrado já havia sido alvo de um procedimento administrativo em 2020. Na época, segundo o TJMG, ele foi ao prédio de uma desembargadora para questionar uma nota recebida em um processo de promoção ao cargo de desembargador. O caso foi encerrado em 2022 com a aplicação de uma pena de advertência.
A nova investigação deverá avaliar se houve falta funcional e quais medidas poderão ser adotadas. As possíveis penalidades dependem da conclusão do procedimento e das regras aplicáveis à magistratura.
