7 de agosto de 2026

Denúncia de estupro faz PL reavaliar permanência de Alfredo Gaspar na chapa de Flávio Bolsonaro

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POR REDAÇÃO

A denúncia de estupro contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) abriu uma crise na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e levou a cúpula do Partido Liberal a discutir, nos bastidores, a substituição do parlamentar na vaga de candidato a vice-presidente. Embora Gaspar negue as acusações e ainda não exista decisão judicial sobre o caso, dirigentes da legenda avaliam que a repercussão pode causar prejuízos políticos à chapa.

O receio do partido não está relacionado ao mérito da investigação, mas ao impacto eleitoral da denúncia. Lideranças do PL entendem que manter na chapa um candidato acusado de estupro representa um risco elevado para a campanha, especialmente diante da dificuldade histórica do grupo em conquistar o eleitorado feminino. Nos bastidores, a avaliação é de que a permanência de Gaspar pode transformar o caso em um dos principais temas da disputa presidencial.

Inicialmente, aliados de Flávio Bolsonaro acreditavam que os esclarecimentos apresentados pelo deputado seriam suficientes para reduzir a repercussão negativa. O cenário, porém, evoluiu de forma diferente. A denúncia ganhou espaço na imprensa nacional, nas redes sociais e passou a dominar as conversas entre lideranças políticas em Brasília, aumentando a pressão para que o partido reveja a composição da chapa.

A possibilidade de mudança foi reforçada durante debates promovidos pelo UOL. O jornalista Leonardo Sakamoto afirmou que a direção nacional do PL analisa a substituição de Alfredo Gaspar e voltou a discutir nomes para ocupar a vaga de vice. Entre eles, o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, embora sua indicação ainda encontre resistência dentro do partido.

A denúncia foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal por meio de uma queixa-crime protocolada pelo deputado Lindbergh Farias (PT) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB). Segundo a acusação, Alfredo Gaspar teria cometido estupro contra uma adolescente de 13 anos. A Polícia Federal solicitou ao STF a abertura de inquérito para apurar os fatos. O ministro Gilmar Mendes determinou diligências, pediu informações complementares aos autores da denúncia e solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a abertura formal da investigação.

Alfredo Gaspar nega as acusações e afirma ser vítima de uma perseguição política motivada por sua atuação como relator da CPMI do INSS. O deputado sustenta que jamais praticou o crime e diz confiar que a investigação esclarecerá os fatos. Até o momento, ele não é réu no processo e não há decisão judicial que reconheça qualquer responsabilidade criminal.

Enquanto o caso segue sob análise no Supremo Tribunal Federal, dirigentes do PL trabalham para definir rapidamente o futuro da chapa presidencial. A expectativa nos bastidores é de que uma decisão sobre a permanência ou substituição de Alfredo Gaspar seja tomada nos próximos dias, diante da preocupação da legenda com os efeitos políticos da denúncia durante a campanha eleitoral.