15 de maio de 2026

Filme sobre Bolsonaro, “Dark Horse”, é alvo de denúncias trabalhistas e polêmica sobre investimento milionário

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Por Redação com G1 Foto: Divulgação

O longa “Dark Horse”, cinebiografia que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou ao centro de polêmicas após a divulgação de um suposto investimento de R$ 61 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A informação repercutiu no setor audiovisual e levantou questionamentos sobre o financiamento da produção.

Além da discussão financeira, a obra também foi alvo de denúncias trabalhistas relacionadas às condições de trabalho durante as gravações realizadas em São Paulo. Um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP), obtido pela imprensa, reúne reclamações de figurantes e profissionais envolvidos no projeto.

Segundo o documento, foram registradas 15 ocorrências formais por meio de canal de denúncias do sindicato. Os relatos envolvem atrasos de pagamento, alimentação considerada insuficiente, possível comida estragada, além de jornadas longas de trabalho e contratações informais.

Os trabalhadores também afirmam que havia diferença de tratamento entre o elenco principal e os figurantes brasileiros, especialmente no fornecimento de alimentação e estrutura durante as gravações. Há ainda relatos de custos de transporte repassados aos próprios figurantes e pagamentos realizados em dinheiro.

O relatório menciona também denúncias mais graves, como supostos casos de assédio moral, revista pessoal considerada invasiva e até relato de agressão física em set, que teria sido registrada em boletim de ocorrência por um dos envolvidos.

Outro ponto levantado é a possível irregularidade na contratação de equipe técnica estrangeira, sem cumprimento de exigências previstas na legislação brasileira do setor audiovisual, incluindo questões ligadas a registros e taxas sindicais.

O SATED/SP, no entanto, afirma que não faz acusações diretas contra a produção e que os relatos serão apurados pelos órgãos competentes, garantindo direito de resposta às partes envolvidas.

Em resposta à repercussão sobre o financiamento, a produtora GOUP Entertainment negou que tenha recebido recursos de Daniel Vorcaro ou de empresas ligadas a ele, afirmando que o projeto conta com diversos investidores sem relação com o banqueiro.

A empresa também declarou que repudia associações “indevidas” entre o filme e informações sem comprovação documental ou contratual.

O orçamento elevado do longa também chamou atenção por superar produções brasileiras recentes de grande destaque internacional, como “O Agente Secreto”, ampliando o debate sobre os custos do audiovisual no país e a forma de captação de recursos para grandes produções.