Sobrecarga e falta de profissionais colocam atendimento oncológico em risco no Hospital Chama, em Arapiraca
Por Redação/ Foto: Divulgação
Um parecer técnico aprovado pelo Conselho Estadual de Saúde de Alagoas acendeu o alerta para a situação do atendimento oncológico no Hospital Chama, localizado em Arapiraca. O documento aponta a necessidade urgente de reestruturação da unidade de alta complexidade em oncologia, diante da sobrecarga de atendimentos, da insuficiência de profissionais especializados e de fragilidades administrativas que comprometem a qualidade e a continuidade do serviço.
A unidade é referência para pacientes de dezenas de municípios da 2ª Macrorregião de Saúde e desempenha papel estratégico na garantia do tratamento de câncer pelo SUS. Apesar de manter funcionamento regular e atender um volume elevado de pacientes mensalmente, o crescimento contínuo da demanda vem gerando gargalos no atendimento, filas de espera, demora em procedimentos e dificuldade de acesso rápido a consultas especializadas e cirurgias oncológicas.
Entre os principais problemas identificados estão a carência de médicos oncologistas, cirurgiões e outros profissionais da equipe multiprofissional, o que impacta diretamente na agilidade dos diagnósticos e no início dos tratamentos. O parecer também aponta dificuldades de gestão causadas por atrasos nos repasses financeiros da Secretaria de Estado da Saúde, comprometendo o planejamento administrativo, a previsibilidade orçamentária e a sustentabilidade do serviço a médio e longo prazo.
Durante visita técnica, a Comissão de Ação à Saúde do Conselho avaliou estrutura física, recursos humanos, fluxos de atendimento, processos de regulação e aplicação de recursos públicos, com base nas normas federais que regulam unidades de alta complexidade em oncologia. Embora a estrutura seja considerada compatível com a habilitação da unidade, o modelo atual de funcionamento foi classificado como insuficiente para atender a demanda regional crescente.
O documento ressalta que, no tratamento do câncer, tempo é fator decisivo: atrasos em consultas, exames, cirurgias ou início de terapias podem comprometer diretamente as chances de sobrevivência dos pacientes. Por isso, a manutenção de um sistema sobrecarregado e com déficit de profissionais representa risco real à vida de milhares de alagoanos que dependem exclusivamente da rede pública.
Diante do cenário, o Conselho deliberou ampliar o debate institucional e convocar órgãos estratégicos para discutir soluções estruturais, entre eles o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual, a Secretaria de Estado da Saúde, a direção do Hospital Chama e o Conselho Municipal de Saúde de Arapiraca. O objetivo é construir encaminhamentos concretos que envolvam reforço de pessoal, reorganização do fluxo assistencial, regularização financeira e fortalecimento da rede oncológica estadual.
O parecer aprovado funciona como um alerta formal ao poder público e às instâncias gestoras da saúde, reforçando que o acesso ao tratamento oncológico é um direito constitucional garantido pelo SUS. Para o Conselho, qualquer fragilidade estrutural, administrativa ou de recursos humanos na rede de atendimento ao câncer não é apenas um problema de gestão, mas uma ameaça direta à vida dos pacientes que dependem do sistema público para sobreviver.
