Governo fecha Regional da Sefaz em Arapiraca, revolta servidores e expõe descaso com o interior
Por Roberto Baía e Rafaela Tenório / Foto: Divulgação
Às vésperas do Natal, quando a expectativa é de estabilidade e segurança para as famílias, o Governo de Alagoas comunicou uma decisão que caiu como um balde de água fria sobre servidores e contribuintes do interior: o fechamento da agência regional da Secretaria da Fazenda em Arapiraca. O anúncio, feito durante reunião realizada na última segunda-feira, 16, marca o fim da última estrutura física da Secretaria da Fazenda fora da capital e expõe, de forma direta, o avanço da centralização dos serviços públicos em Maceió.
A reunião ocorreu na sede da própria Secretaria da Fazenda, no Centro de Arapiraca, e foi conduzida pela auditora de fiscalização Ana Carla, auditora da Sefaz que exerce função de chefia no órgão. Aos servidores, foi informado que a unidade será desativada e que os funcionários ficarão à disposição do setor de Recursos Humanos do Estado.
Em entrevista ao site Arapiraca News, o servidor que participou da reunião afirmou que o fechamento da unidade de Arapiraca representa o fim de todas as agências físicas da Secretaria da Fazenda no interior de Alagoas. Segundo ele, Arapiraca era a última regional em funcionamento fora da capital.
Ainda de acordo com o servidor, a agência de Arapiraca, conhecida como Sétima Coordenadoria, era responsável pelo atendimento de nove municípios: Arapiraca, Palmeira dos Índios, Penedo, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema, Porto Real do Colégio, Olho d’Água das Flores, São Sebastião e Feira Grande. Com o encerramento da unidade, contribuintes dessas cidades passam a depender exclusivamente do atendimento virtual ou do deslocamento até Maceió.
Conforme informado na reunião, o prédio deverá ser desocupado a partir do dia 5 de janeiro, com previsão de entrega do imóvel a outro órgão do governo estadual. Com isso, o Estado deixa oficialmente de manter qualquer agência regional da Sefaz fora da capital.
Como alternativa, a Secretaria informou que manterá apenas dois auditores fiscais e três estagiárias em um ponto de atendimento no shopping JAR, responsável por atender toda a demanda do Agreste e do Sertão. Para os servidores, a estrutura é considerada insuficiente diante do volume de atendimentos historicamente realizados em Arapiraca.
O impacto da decisão também recai diretamente sobre os servidores. Muitos já possuem tempo para aposentadoria e deverão antecipar a saída. Outros auditores fiscais serão remanejados para postos fiscais localizados em regiões de fronteira, como Delmiro Gouveia, Novo Lino e o posto compartilhado entre Alagoas e Sergipe, que funciona atualmente em Propriá, após ter sido transferido de Porto Real do Colégio.
Sobre os remanejamentos, o servidor foi direto ao relatar o clima da reunião: “Quem não se aposentar vai ter que ir para onde o Estado mandar. O fiscal não escolhe, ele vai para onde colocarem”.
Além do impacto funcional, a decisão tem reflexos sociais imediatos. Mesmo com a proximidade do Natal, período tradicionalmente marcado por estabilidade financeira para as famílias, o fechamento da agência gera insegurança e apreensão entre os servidores, que enfrentam mudanças bruscas na rotina familiar, com transferências para cidades distantes ou a aposentadoria antecipada.
Embora o governo sustente que o atendimento virtual seja suficiente, de acordo com o servidor, a realidade do interior é diferente. Pequenos empresários, produtores rurais e contribuintes com pendências específicas continuam dependendo do atendimento presencial, sobretudo em regiões onde o acesso à internet e às plataformas digitais ainda é limitado.
Politicamente, o encerramento da Fazenda em Arapiraca representa um duro golpe para o interior alagoano. Principal polo econômico fora da capital, a cidade perde mais uma estrutura estratégica do Estado, reforçando críticas antigas sobre a concentração das decisões administrativas em Maceió e o enfraquecimento dos serviços públicos no Agreste e no Sertão.
Até o momento, a Secretaria da Fazenda não divulgou nota oficial detalhando os critérios da decisão nem apresentou estudos públicos sobre o impacto econômico e social do fechamento da agência.
