Perícia descarta falha mecânica em acidente com ônibus na Serra da Barriga
Por Redação
A Polícia Científica de Alagoas concluiu que não houve falha mecânica no ônibus que caiu na Serra da Barriga, em União dos Palmares, em novembro de 2024. O acidente resultou na morte de 20 pessoas. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 18 de julho, durante uma coletiva de imprensa, quase duas semanas após a retirada do veículo do local.
Segundo o perito criminal Marcelo Velez, a perícia técnica descartou qualquer defeito nos principais sistemas do ônibus. “Já podemos afirmar com segurança que a causa do acidente não foi falha mecânica. Todos os sistemas — motor, direção, tração e transmissão — estavam em pleno funcionamento”, declarou.
Com a eliminação dessa hipótese, os peritos agora concentram a investigação na conduta do motorista, identificado como Luciano de Queiroz Araújo, que também faleceu no acidente. “É possível que o condutor tenha cometido um erro de procedimento, como parar o veículo em uma ladeira sem os cuidados necessários. A tentativa de manter o ônibus parado apenas com o freio motor pode ter sido ineficaz, principalmente se o motor ainda estava quente ou se havia excesso de peso”, explicou Velez.
Inquérito aponta falha humana
De acordo com o delegado Guilherme Luston, responsável pelo inquérito, a análise técnica somada aos depoimentos de testemunhas indicou que o acidente foi provocado por falha humana.
“Com a falha técnica descartada e com base nos relatos coletados, concluímos que houve um erro operacional do motorista, possivelmente por nervosismo ou inexperiência”, afirmou.
Segundo o delegado, o caso é classificado juridicamente como homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. Como o motorista morreu no acidente, não é possível a responsabilização criminal. No entanto, o delegado explicou que permanece a possibilidade de responsabilização civil. “As famílias podem buscar reparação por danos morais e materiais. Como o transporte foi contratado pelo município para um evento, o poder público pode ser responsabilizado”, disse.
Operação de resgate e perícia
A retirada do ônibus aconteceu seis meses após o acidente, em uma operação que envolveu o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil, peritos criminais e técnicos de uma empresa especializada. Guinchos com cabos de aço foram utilizados para içar o veículo, que estava em uma área de mata fechada e difícil acesso.
Após ser removido da encosta, o ônibus foi levado ao pátio da Polícia Civil, em Rio Largo, onde passou por inspeção completa.
Participaram da coletiva de imprensa os peritos Nivaldo Cantuária, Rosana Coutinho e o chefe do Instituto de Criminalística de Alagoas, Charles Mariano.
Relembre o acidente
O acidente ocorreu no dia 24 de novembro de 2024. O ônibus transportava 48 pessoas que se dirigiam ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares para participar do evento cultural “Pôr do Sol na Serra”.
Relatos de sobreviventes indicam que o motorista percebeu o rompimento de uma mangueira de ar e decidiu parar o veículo. Ele teria orientado os passageiros a desembarcar, aguardando a chegada de outros grupos. Pouco depois, o ônibus perdeu o controle e caiu de uma ribanceira com aproximadamente 400 metros de altura.
