Rei Pelé sofre risco de colapso mesmo após Governo de Alagoas pagar R$ 13,4 milhões em obras de manutenção
Relatório técnico de 2026 aponta risco de colapso em estruturas do estádio e recomenda interdição imediata de áreas críticas.
As condições estruturais do Estádio Rei Pelé estão em risco de colapso parcial, conforme aponta o laudo elaborado em junho deste ano pelo Consórcio High Tech-Progetto. De acordo com o documento, já encaminhado à Procuradoria-Geral do Estado de Alagoas (PGE-AL), a interdição de trechos críticos deve ser imediata. A vistoria identificou risco de colapso parcial das lajes superiores das Rampas 02 e 03 e também dos alojamentos nº 29, 31 e 36, localizados no Setor 05.
Além desses pontos, o diagnóstico mostra a necessidade de intervenções corretivas urgentes no Setor 04 e a recuperação da laje “ferradura”, no Setor 02.
A situação contrasta com o histórico recente de investimentos no estádio. Segundo o Portal da Transparência, entre 2019 e 2025, o Governo de Alagoas pagou R$ 13.462.019,70 à Nave Construções Ltda.-ME, empresa sediada em Marechal Deodoro, para serviços de manutenção do estádio. O vínculo começou em fevereiro de 2019, quando a então Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude (Selaj) assinou um contrato com a empresa. O acordo previa R$ 4,5 milhões para a manutenção predial do Rei Pelé durante 12 meses.
O contrato foi feito por meio da adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria de Estado da Segurança Pública, originalmente criada para serviços em instalações policiais. Previsto inicialmente para um ano, o contrato foi prorrogado por meio de sucessivos termos aditivos. A partir daí, o valor pago à empresa passou muito além dos R$ 4,5 milhões inicialmente previstos. Ao todo, o levantamento aponta R$ 13,4 milhões pagos em seis anos.
O cenário atravessa dois governos estaduais. O contrato foi firmado durante a gestão de Renan Filho e permaneceu ativo após a chegada de Paulo Dantas ao Governo de Alagoas. A discussão não é apenas sobre o valor gasto. É sobre o resultado obtido com o dinheiro público: o que foi contratado, o que foi executado, quem fiscalizou os contratos e por que os problemas permanecem.
Por Assessoria
