6 de maio de 2026

Policiais militares e ex-policial são condenados pela morte e ocultação do corpo de Davi da Silva

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POR REDAÇÃO / FOTO: DIVULGAÇÃO

Após dois dias de julgamento no Fórum do Barro Duro, em Maceió, o Tribunal do Júri condenou quatro pessoas, incluindo três policiais militares e uma ex-policial, pela morte e ocultação do corpo de Davi da Silva, desaparecido em 2014 no bairro Benedito Bentes. O crime que completará 12 anos em agosto teve um desfecho importante com a definição das penas.

As sentenças dos réus foram as seguintes:

  • Eudecir Gomes de Lima: 28 anos, 1 mês e 3 dias de reclusão;
  • Carlos Eduardo Ferreira dos Santos: 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão;
  • Nayara Silva de Andrade: 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão;
  • Victor Rafael Martins da Silva: 23 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão.

Os réus foram considerados culpados por homicídio qualificado, cometido por motivo fútil e mediante tortura, além de ocultação de cadáver. Até o julgamento, os réus respondiam ao processo em liberdade e negavam qualquer envolvimento na morte de Davi.

O caso teve início quando Davi foi abordado por policiais da Radiopatrulha, em 2014, durante uma abordagem por porte de pequena quantidade de maconha. Após essa abordagem, Davi desapareceu e nunca mais foi visto. Sua mãe, Dona Maria José, que lutou por anos para ver justiça feita, faleceu sem assistir à conclusão do processo.

O julgamento, iniciado na segunda-feira (4), contou com a apresentação de depoimentos contraditórios das testemunhas de defesa, que foram questionados pelo Ministério Público. Uma das testemunhas afirmou não ter visto Davi sendo colocado na viatura policial, enquanto outra, primo de consideração da vítima, afirmou que a farda dos policiais era semelhante à da Força Nacional. Esse argumento foi utilizado pela defesa para questionar a identificação da viatura, mas o promotor Thiago Riff apresentou depoimentos anteriores em que a mesma testemunha havia reconhecido a guarnição da Radiopatrulha.

No segundo dia de julgamento, a acusação apresentou fortes argumentos, destacando que a principal testemunha do caso, Raniel Victor, reconheceu quatro dos acusados em um conjunto de 62 fotografias, o que reforçou a tese de que os policiais estavam envolvidos no desaparecimento de Davi. A promotora Dra. Lídia também apontou contradições nos depoimentos dos réus sobre os detalhes das viaturas que utilizavam.

A sentença final marca uma vitória para a justiça e para a memória de Davi, que finalmente teve seu caso resolvido após anos de sofrimento e luta da família.