23 de abril de 2026

Delação aponta uso de cargo por delegado-geral de AL em suposto esquema de fraude em concursos

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Por Redação / Foto: Divulgação

As investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre um esquema de fraudes em concursos públicos ganharam novos desdobramentos e ampliaram o foco sobre o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento. De acordo com informações reunidas no inquérito, baseadas em delação premiada, o ingresso dele no suposto esquema teria ocorrido a partir de uma situação de pressão sobre um dos investigados.

Conforme o depoimento de Tiago José de Andrade, o episódio teria ocorrido em 2021, quando Gustavo Xavier ainda atuava como delegado em Arapiraca. Na ocasião, uma operação policial resultou na expedição de um mandado de prisão contra Tiago. A partir desse momento, segundo o relato, o delegado teria condicionado o não cumprimento da ordem judicial à colaboração do investigado em atividades ilegais ligadas à fraude em concursos.

Ainda de acordo com a apuração, o esquema funcionava de forma estruturada e contava com diferentes métodos para garantir aprovações irregulares. Entre as práticas identificadas estão o vazamento antecipado de provas, o envio de gabaritos a candidatos e o uso de dispositivos eletrônicos durante as avaliações. A Polícia Federal aponta que a comunicação entre o delegado e a organização criminosa ocorria por meio de intermediários, o que reforça a hipótese de atuação articulada.

As investigações também indicam que o grupo tinha alcance nacional e operava em diversos concursos públicos, cobrando valores elevados para beneficiar candidatos. Em alguns casos, os pagamentos poderiam chegar a cifras altas, evidenciando o potencial lucrativo do esquema e sua complexidade operacional.

Diante dos elementos coletados, a linha investigativa considera a possibilidade de uso da função pública para obtenção de vantagem indevida, o que pode caracterizar o crime de concussão. O delegado-geral foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da operação, e materiais foram recolhidos para análise pericial.

O caso segue em investigação e, até o momento, não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público. As defesas dos citados negam qualquer irregularidade. Enquanto isso, a Polícia Federal continua aprofundando as apurações para identificar outros possíveis envolvidos, beneficiários e a real dimensão do esquema.