6 de março de 2026

Caminhoneiro admite farsa e caso que travou o Rodoanel ganha reviravolta

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Por Redação / Foto: Divulgação

A investigação sobre o bloqueio que paralisou o Rodoanel Mário Covas por mais de cinco horas, no último dia 12, tomou um rumo inesperado. O caminhoneiro que relatou ter sido sequestrado e obrigado a dirigir com supostos explosivos confessou à Polícia Civil, na quarta-feira (19), que toda a história foi inventada. A revelação desmonta a versão que havia mobilizado um dos maiores esquemas de segurança já acionados na via.

Ao se apresentar na Delegacia de Taboão da Serra, o motorista admitiu que simulou o crime. De acordo com os investigadores, ele mesmo montou o artefato que descrevera como bomba — na prática, um conjunto de objetos sem qualquer risco — e se amarrou dentro da cabine antes de estacionar o caminhão no km 44, sentido Dutra. A ação provocou a interrupção total do tráfego e um congestionamento que se estendeu por cerca de 40 quilômetros.

Imagens analisadas pela polícia sustentam a nova versão. As câmeras de monitoramento mostram o caminhoneiro realizando manobras incomuns pouco antes da parada. Uma das gravações, considerada determinante, registra o momento em que ele estaciona o veículo em área isolada, desce para urinar e, em seguida, atira sozinho uma pedra contra o próprio para-brisa — ato que inicialmente associara a um ataque de criminosos.

A falsa emergência desencadeou um grande deslocamento de equipes especializadas. O GATE, o helicóptero Águia, cães farejadores e dezenas de agentes foram acionados. Motoristas que pararam para prestar socorro contaram ter encontrado o caminhoneiro em aparente torpor, imóvel e gritando frases desconexas. Retirado da cabine por um policial, ele acabou levado a um hospital, onde permaneceu sob observação.

Em contato com um portal paulista, o motorista limitou-se a dizer que está acompanhado por familiares e buscando apoio psicológico. Evitou comentar os motivos da simulação e afirmou que só pretende falar quando retomar o atendimento profissional. Os resultados dos exames toxicológicos feitos no dia do episódio ainda não foram divulgados.

A farsa surgiu numa semana marcada por pressões políticas no Congresso para ampliar o conceito de terrorismo e incluir o narcotráfico na legislação. A suposta ação violenta relatada pelo caminhoneiro chegou a alimentar discussões inflamadas nas redes e no meio político, antes de ser desmentida pela própria investigação.