6 de março de 2026

Escola indígena em Palmeira dos Índios é alvo de disparos, comunidade teme intimidação

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Por Redação / Foto: Divulgação

Na manhã desta segunda-feira (10), uma escola indígena localizada na Aldeia Fazenda Canto, em Palmeira dos Índios, agreste de Alagoas, foi encontrada com marcas de disparos de arma de fogo. Os tiros atingiram portões e paredes do prédio, mas felizmente ninguém ficou ferido.

A situação foi relatada pelo ex-secretário de Cultura do município, Cássio Junior, durante o programa “A Notícia”. Até o momento, não há informações sobre a identidade dos responsáveis, nem sobre a motivação ou horário dos disparos.

A instituição atende crianças e adolescentes da etnia Xucuru-Kariri. Lideranças indígenas da região acreditam que o ataque possa ter sido uma tentativa de intimidação, em um contexto de tensão relacionado ao processo de demarcação das terras indígenas.

Após mais de 150 anos de reivindicações, a demarcação das terras do povo Xucuru-Kariri em Palmeira dos Índios deve avançar ainda este ano. Conforme informado pelo líder indígena Tanawy Xukuru-Kariri, 35 dos 463 proprietários cujas áreas se sobrepõem ao território indígena receberão indenizações até 14 de dezembro, prazo estendido pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para finalizar a avaliação.

Essa etapa é considerada crucial para a regularização fundiária da região, que há décadas enfrenta conflitos entre indígenas e produtores rurais.

O tema, entretanto, segue sendo alvo de polêmica política. Recentemente, o ex-prefeito James Ribeiro manifestou-se contra a demarcação, usando as redes sociais para criticar o procedimento da Funai. Segundo ele, a medida seria “uma grande injustiça” e poderia gerar prejuízos econômicos e sociais à população local.

James Ribeiro afirmou que o processo apresenta irregularidades e que apenas o ponto de vista indígena teria sido considerado, desconsiderando registros históricos e laudos que comprovariam a posse de famílias estabelecidas na região há gerações. “Famílias que vivem há gerações na terra estão sendo tratadas como invasoras”, disse em vídeo publicado no Instagram.

Ele também destacou que a demarcação fere o direito de propriedade, previsto na Constituição, e argumentou que não há conflitos reais: “Não há índios desalojados nem disputas de terra. Existem apenas pequenos produtores e famílias que dependem da agricultura para sobreviver”.