No mês da Consciência Negra, Câmara de União dos Palmares decide retirar nome de Zumbi da Prefeitura e causa indignação
Por Rafaela Tenório/ Foto: Divulgação
Em pleno mês da Consciência Negra, a Câmara de Vereadores de União dos Palmares aprovou um projeto que gerou forte reação popular e reacendeu o debate sobre apagamento histórico. Os parlamentares decidiram retirar o nome de Zumbi dos Palmares do prédio da Prefeitura, que voltará a se chamar Palácio Municipal Antônio Gomes de Barros, em homenagem ao ex-prefeito e ex-vice-governador de Alagoas.
A proposta foi apresentada pelos vereadores Gustavo Pedroza (PDT), Ricardo Praxedes (PL) e Elvinho (PSB), sob a justificativa de resgatar a homenagem original. Segundo eles, o prédio recebeu o nome de Antônio Gomes de Barros durante a gestão de seu filho, Manoel Gomes de Barros, entre 1977 e 1982, e a alteração feita na gestão passada teria sido motivada por questões políticas. “Estamos apenas corrigindo uma injustiça e restabelecendo o reconhecimento a quem contribuiu para o desenvolvimento de União dos Palmares”, afirmou o vereador Ricardo Praxedes.
A decisão, porém, causou indignação em parte da população e foi duramente criticada por lideranças locais e movimentos sociais. O ex-prefeito Areski Freitas (MDB), responsável pela mudança em 2023 que batizou o prédio com o nome de Zumbi, classificou a nova decisão como um retrocesso. “Tirar o nome de Zumbi da Prefeitura é negar a nossa própria história. Essa cidade é símbolo da resistência e da luta do povo negro. Não podemos apagar isso por conveniência política”, declarou o ex-gestor em vídeo divulgado nas redes sociais.
O tema ganhou ainda mais destaque por ocorrer às vésperas do 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, data que marca a morte de Zumbi, herói nacional e símbolo da luta contra a escravidão. União dos Palmares, que abriga a Serra da Barriga e o Quilombo dos Palmares, é reconhecida como o principal território da resistência afro-brasileira, o que torna a decisão da Câmara especialmente sensível.
O atual prefeito Júnior Menezes (MDB) ainda não se pronunciou oficialmente, mas vereadores aliados afirmam que a medida foi discutida com o Executivo. “O prefeito respeita as famílias tradicionais e compreende a importância de preservar a memória política da cidade”, disse Praxedes.
A mudança provocou protestos e manifestações nas redes sociais, com moradores, historiadores e militantes acusando o Legislativo de desrespeitar o legado de Zumbi. Para os críticos, a retirada do nome representa um golpe simbólico contra a identidade de União dos Palmares, berço da luta pela liberdade no Brasil.
Mais do que uma disputa por nomes, a polêmica escancarou a divisão entre duas visões de cidade: a que busca preservar o legado político das antigas lideranças locais e a que defende o fortalecimento da memória negra e da resistência histórica. Em União dos Palmares, onde Zumbi é símbolo e orgulho, a luta pela preservação da história continua viva — e agora, mais do que nunca, em debate.
