7 de março de 2026

GOVERNO DE ALAGOAS ADMITE DÍVIDA MILIONÁRIA E NEGOCIA ACORDO PARA EVITAR COLAPSO NA MATERNIDADE NOSSA SENHORA DA GUIA

rs=w_364,h_272,i_true,cg_true,ft_cover (6)

Por Redação / Foto: Divulgação

A novela sobre os repasses atrasados à Maternidade Nossa Senhora da Guia, em Maceió, pode estar chegando ao fim. Após meses de impasse, o Governo de Alagoas finalmente reconheceu oficialmente uma dívida de R$ 4,67 milhões com a unidade, administrada pela Santa Casa de Misericórdia de Maceió, e iniciou tratativas para quitar o valor.

O Estado propôs o pagamento em 24 parcelas, mas a Santa Casa defende que a quitação seja feita ainda dentro da atual gestão, em 14 parcelas. “Apresentamos uma contraproposta que permita regularizar a situação o quanto antes. A população não pode pagar o preço da burocracia. O entendimento precisa vir agora”, afirmou o diretor de Infraestrutura e Negócios da instituição, Carlos André de Mendonça Melo.

A negociação foi mediada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério Público Federal (MPF), em audiência realizada na última quarta-feira (16). Também participaram representantes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e sindicatos ligados aos profissionais da saúde.

Durante o encontro, o governo confirmou a continuidade dos repasses mensais de R$ 139 mil do Programa de Implementação da Rede de Atenção Materno-Infantil (PROMATER), medida que garante a manutenção dos atendimentos à população.

A dívida, acumulada entre agosto de 2022 e junho de 2025, quase levou ao fechamento definitivo da maternidade, que chegou a interromper os atendimentos por 13 dias — de 23 de maio a 5 de junho deste ano. O funcionamento só foi retomado após uma intervenção emergencial da Prefeitura de Maceió, que assumiu parte dos valores em atraso para evitar o colapso total do serviço.

Referência no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a Maternidade Nossa Senhora da Guia está em funcionamento desde 2008 e já realizou mais de 80 mil partos, representando 27% de todos os nascimentos no Estado. A unidade mantém 45 leitos e emprega 172 profissionais diretos, além de dezenas de prestadores de serviço.

“O Estado reconheceu que a maternidade é essencial para a obstetrícia pública de Alagoas. Agora, o que falta é transformar esse reconhecimento em ação concreta. Cada dia de atraso compromete vidas e histórias que começam dentro dessas paredes”, declarou o gestor.

O desfecho da negociação deve ser definido nas próximas semanas, e a expectativa é de que o acordo garanta estabilidade financeira à instituição — e tranquilidade às milhares de gestantes que dependem exclusivamente do atendimento público para dar à luz.

Com informações da Ascom Santa Casa de Maceió