Aos 67 anos, maratonista de Arapiraca encara Desafio da Ponte e emociona com superação: “Isso ficará para sempre em minha vida”
Por Rafaela Tenório
O Desafio da Ponte Rio-Niterói retornou no último domingo, 3 de agosto, após 12 anos fora do circuito, e reuniu cerca de 5 mil corredores de todo o país para enfrentar os 21 km entre as cidades de Niterói e Rio de Janeiro. Entre os atletas, a maratonista arapiraquense Carminha, de 67 anos, foi destaque por sua determinação e história de superação. Ela se tornou a primeira mulher de Alagoas — e a primeira atleta alagoana — a atravessar correndo a ponte Rio-Niterói, em um feito inédito. “Nenhuma mulher de Alagoas tinha feito esse desafio antes, na verdade, nenhum atleta alagoano. Então, nós fomos os primeiros”, celebrou.
“Foi um momento inesquecível, mas também de muita tensão. Atravessar a ponte correndo não é fácil”, relatou Carminha em entrevista exclusiva ao site Arapiraca News. Segundo ela, o percurso impõe obstáculos como altitude, vento forte e subidas: “O trajeto não é todo plano. Só a ponte tem 13,29 km. Foi uma prova de superação total”.

Fé, foco e resistência
A atleta destacou que correr os 21 km foi mais do que uma conquista física – foi uma experiência de fé e resistência. “Essa prova me fez ver o quanto somos capazes. Basta, primeiramente, acreditar em Deus e em você mesmo”, disse.
Mesmo sem treinador pessoal, Carminha enfrentou o desafio com coragem. “Não foi com os meus treinos normais, mas fui com fé. Representar Arapiraca foi o que mais me deu força e orgulho”, afirmou.
Orgulho arapiraquense na ponte mais simbólica do Brasil
O retorno da prova faz parte da campanha de Rio e Niterói para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2031. Mais do que uma corrida, o evento simbolizou integração e fortalecimento do esporte nacional. Carminha valorizou cada detalhe:
“A organização foi fantástica. Tudo feito com muito carinho e respeito por nós, atletas”, elogiou. Apesar disso, ela enfrentou momentos de tensão. “Tive medo de não conseguir chegar no horário determinado pela comissão”, contou.

Uma história entre gigantes do esporte
O momento mais marcante, segundo ela, foi correr ao lado de atletas que participaram das primeiras edições da prova. “Mulheres que começaram jovens e eu, aos 60, sem personal trainer. Agora, aos 67 anos, concluí o desafio… isso ficará para sempre em minha vida”, declarou com orgulho.
Embora não tenha subido ao pódio, Carminha teve ótimo desempenho: entre as 1.531 mulheres inscritas, 1.474 completaram a prova — e ela ficou na posição 4.073 na classificação geral.




Recepção calorosa no retorno a Arapiraca
Ao desembarcar para voltar à cidade de Arapiraca, Carminha foi surpreendida por uma homenagem emocionante. “O pessoal da Associação dos Idosos de Arapiraca foi me receber no aeroporto. Eles levaram a formação do chorinho e fizeram uma linda homenagem. Foi um momento que me tocou profundamente”, contou emocionada.
O gesto marcou o reconhecimento da cidade por sua representante, que com coragem e persistência leva o nome de Arapiraca aos grandes eventos do esporte nacional e internacional.
Próximos desafios à vista
Carminha segue firme em sua trajetória e já tem novas metas para os próximos meses. “Em outubro participo da Maratona de Aracaju. Em novembro, do Sul-Americano no Chile. E em dezembro, da São Silvestre, que este ano completa 100 anos”, revelou.
Com passos determinados, a maratonista de Arapiraca mostra que a corrida não é apenas sobre chegar ao fim — mas sobre a força que se carrega durante todo o percurso.










Fotos: Cortesia
