6 de março de 2026

Instâncias regionais e gestores públicos unem forças para consolidar o turismo no interior de Alagoas

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Fórum realizado em Arapiraca reuniu setor público e privado para debater estratégias e fortalecer destinos fora da capital

Muito mais do que praias e receptivos em Maceió, Alagoas tem um enorme potencial turístico, que se estende do Litoral ao Sertão. Para estabelecer rotas que privilegiem as belezas naturais, a história, a cultura e outros atrativos do interior, as Instâncias de Governança Regionais (IGRs) e gestores públicos de vários municípios do interior uniram forças para traçar estratégias de fortalecimento de roteiros já existentes e criação de novos itinerários fora da capital.

“O turismo no interior evoluiu muito, já existem muitos produtos turísticos consolidados para levar o visitante que chega a Maceió a esses atrativos no interior. As cidades que ainda não passaram a explorar esse potencial está perdendo essa oportunidade de desenvolvimento”, explica Henrique Soares, gerente do Sebrae Alagoas, que foi correalizador do Fórum Regional das Instâncias de Turismo realizado em Arapiraca.

De acordo com a presidente da Instância do Agreste, Evânia Albuquerque, o turismo pode ser a ferramenta para o desenvolvimento econômico e transformação social em municípios do interior, mas, para isso, é necessário que as instâncias trabalhem juntas para consolidar roteiros diversificados e atrativos. “Integração é a palavra-chave para todas as instâncias. A gente precisa integrar tanto regiões vizinhas, ou mesmo aquelas que ficam um pouco distantes, para que sejam formadas mais parcerias para fortalecer a regionalização do turismo no estado”, declarou.

Alagoas conta atualmente com seis IGRs formalizadas, que reúnem poder público, setor privado e sociedade civil para planejar, e aplicar ações e políticas voltadas para o turismo de determinada região. A Instância do Agreste, por exemplo, é formada pelo trade turístico de nove municípios do Agreste e é responsável por projetos turísticos, como a Rota da Cachaça, desenvolvida com o apoio do Sebrae, e a Rota Indígena.

Ilha do Ferro é caso de sucesso

O vice-presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Jorge Dantas, também é um defensor da regionalização do turismo. Como prefeito de Pão de Açúcar, ele viu a realidade do povoado Ilha do Ferro mudar com a exploração turística.

“A minha cidade é pobre, a população vive basicamente do Bolsa Família, como a maioria dos municípios alagoanos. Falta emprego e renda para o povo, mas não falta vontade de trabalhar. E hoje eu vejo que somente o turismo é capaz de mudar essa realidade”, afirmou.

Ele conta que, inicialmente, a Ilha do Ferro era conhecida apenas pelos bordados, que eram muito apreciados em feiras de artesanato. Depois, um artesão da comunidade, conhecido por confeccionar tamancos de madeira, passou a produzir bancos, que logo passaram a ser conhecidos e admirados no sudeste do país e no exterior.

“São bancos muito bonitos, mas têm apenas três pernas, o que acaba comprometendo um pouco o equilíbrio. Ai, numa viagem a São Paulo, vi os bancos produzidos lá na comunidade rural. O interesse das pessoas e o turismo cresceu tanto que conhecidos meus que estiveram na maior feira de design do mundo, em Milão, disseram que lá só se falava na Ilha do Ferro. Hoje, eu posso dizer que ela é maior que Pão de Açúcar”, declarou.

Inovação é o caminho

Para desenvolver produtos turísticos diferenciados, o caminho é a inovação. Segundo o consultor do Sebrae Francisco Bahia, Alagoas tem um enorme potencial turístico pouco explorado.

“Quando falo em inovação, não estou falando apenas em tecnologia, embora algumas iniciativas tecnológicas realizadas no interior têm um resultado excelente, como o mapeamento de estradas vicinais em Piranhas ou um aplicativo desenvolvido em Santana do Ipanema que ajuda o visitante a conhecer as opções gastronômicas disponíveis na cidade. Inovação é também pensar diferente e agregar valor ao que já existe. É transformar um atrativo simples em uma experiência marcante, como uma trilha na caatinga, no Assentamento Lameirão; o voo livre em Tanque d’Arca, ou ainda fazer uma refeição típica com buchada ou galinha de capoeira. Esses são apenas alguns exemplos de opções que podem ser melhor exploradas”, destacou.

Em sua palestra durante o Fórum, ele trouxe vários casos de sucesso e investimentos que municípios estão fazendo que irão reforçar o turismo. Ele mencionou o Centro de Convenções, em Arapiraca, que irá possibilitar a realização de grandes eventos no interior de Alagoas e deve consolidar o roteiro de turismo de negócios na cidade. Outro investimento que ele citou foi o Santuário de Nossa Senhora Sant’Ana, que será construído no Sertão. Mas, além de atrair turistas de outras regiões, deve ser estimulado também o turismo interno.

“É fundamental que os alagoanos conheçam e valorizem as potencialidades que temos. Precisamos pensar no turismo de Alagoas para os alagoanos também”, ressaltou.

Por Assessoria