3 de abril de 2025

Denúncia de servidor municipal contra Ex-prefeito de Palmeira dos Índios gera nova polêmica política

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POR REDAÇÃO

A política de Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas, vive mais um episódio polêmico envolvendo o ex-prefeito e atual secretário de Administração, Júlio Cezar da Silva. Conhecido por seu perfil controverso durante sua gestão como prefeito, Júlio Cezar já enfrentou críticas e acusações sobre o uso indevido de recursos públicos e a má gestão de verbas municipais. Agora, o ex-prefeito volta ao centro das atenções, após a denúncia feita por Sivaldo Teixeira Bezerra, servidor municipal, que protocolou uma queixa-crime contra ele, alegando ter sido alvo de ofensas públicas durante um comício realizado na véspera da eleição de 2024.

O incidente ocorreu em 1º de outubro de 2024, por volta das 22h, quando Júlio Cezar utilizou um carro de som para fazer declarações contra Sivaldo, que mora no povoado Riacho Santo. Durante o evento político, que aconteceu em frente à residência do servidor, o ex-prefeito proferiu acusações de corrupção, afirmando que Sivaldo havia recebido uma “mansão” construída com recursos públicos e se beneficiado de uma lei municipal que garantiria um salário de R$ 16 mil mensais. Essas acusações geraram grande repercussão na cidade e foram vistas como uma tentativa de descreditar a figura de Sivaldo no cenário político local.

O episódio tomou uma dimensão ainda mais grave quando Júlio Cezar, em tom depreciativo, fez referência à deficiência física de Sivaldo, chamando-o de “suru”, termo pejorativo para animais sem cauda. Esse tipo de ataque, de acordo com o advogado de Sivaldo, configura uma injúria qualificada, agravada por discriminação, e agride não apenas a honra do servidor, mas também o respeito à sua dignidade humana.

Além das acusações de difamação e calúnia, o impacto emocional sofrido por Sivaldo foi profundo. Ele procurou atendimento médico, apresentando um atestado que comprovava os danos psicológicos causados pelas ofensas públicas e pelo estresse vivido com a repercussão do caso. Em virtude disso, o servidor se afastou de suas funções por três meses, como recomendado pelos profissionais de saúde.

Em sua queixa-crime, Sivaldo solicita a condenação de Júlio Cezar pelos crimes de calúnia, difamação e injúria qualificada, além de pedir uma indenização por danos morais devido à exposição pública e ao sofrimento psicológico que o episódio lhe causou. O pedido de indenização se baseia na violação de sua honra e na tentativa de manchar sua imagem, prejudicando sua vida pessoal e profissional.

Outro ponto importante no processo é o pedido de medida protetiva. Sivaldo argumenta que Júlio Cezar, por sua grande influência política em Palmeira dos Índios, poderia continuar a praticar perseguições e intimidações. A medida protetiva visa garantir a segurança do servidor, impedindo qualquer tipo de contato direto ou indireto com o ex-prefeito, seja pessoalmente ou por meio das redes sociais. O pedido é visto como uma medida preventiva, considerando a situação de vulnerabilidade de Sivaldo diante da figura política poderosa de Júlio Cezar.

O Judiciário da cidade já recebeu a ação, e o Ministério Público está aguardando para se manifestar sobre o caso. O promotor de Justiça terá um papel fundamental em analisar as provas apresentadas e determinar os próximos passos. Caso a ação seja aceita, o caso poderá seguir para julgamento, trazendo ainda mais repercussão à política local.

Este caso não apenas lança luz sobre a relação conturbada entre os políticos locais, mas também levanta questões sobre o respeito à dignidade humana e o uso do poder político para fins de intimidação e perseguição. O desfecho da queixa-crime contra Júlio Cezar pode ter consequências significativas para sua carreira política e para a confiança da população na condução da política municipal em Palmeira dos Índios. Além disso, ele pode se tornar um marco no combate a abusos de poder e à disseminação de discursos de ódio e discriminação na esfera política.