CAPACITISMO É CRIME!

Capacitismo é crime! – Foto: Exibição
Existem vários tipos de deficiência física ou distúrbio mental, mas somente um tipo de ser humano! Não estamos falando, aqui, de “categorias”, mas de pessoas: quantas pessoas com deficiência no Brasil? São mais de 18 milhões de pessoas. Você sabia disso? Já se perguntou?
Poderíamos, como sociedade, questionar-nos? Quem decide o que é normal e o que é bonito? Quem inventou estas regras?
A sociedade tem empatia e adaptabilidade necessárias para com todas as pessoas
com deficiência em seus ambientes?
Na verdade, os ambientes são inadequados, isso quando existem. Quando não convivemos com uma pessoa com deficiência, apenas ignoramos o assunto, afinal, somos educados para ter medo do diferente, numa sociedade que impõe padrões de intelectualidade, beleza, moda e de ideias.
Pessoas com retardo intelectual ou distúrbios mentais, são vistas, pela história, como apenas “loucos” e doentes, quando eram internados em manicômios, abandonados pelas famílias, tratadas como aberrações e sem tratamento digno nas escolas, onde eram colocados em salas “especiais”, sem se “misturarem” com os demais alunos e alunas. Assim como no mercado de trabalho, e nem vamos refletir aqui sobre os tratamentos de saúde… que hoje, já são muitos, mas muito mais humanizados e trabalhados de forma individual, de acordo com cada deficiência, idade, e necessidade de cada um. Pois cada pessoa com deficiência é um ser único!
A vida é uma sala de aula… aprendi tudo isto não somente na teoria, nem nas pesquisas, mas, muito mais na prática! Eu trocaria fácil um título de super mãe, como sempre me condicionam, por uma vida mais saudável e completa para meu filho Bernardo, hoje com 9 anos, que nasceu com uma deficiência decorrente da infecção congênita do zika vírus. Trocaria qualquer título de super mãe, para que ele pudesse andar, falar, brincar e ter melhor qualidade de vida como qualquer criança normal, sem dependências decorrentes desta infecção!
Já ouvi absurdos como: “seu filho vai atrapalhar sua vida. Deixa ele na porta do pai dele. As frases que escutava e ainda escuto são exatamente essas. Que, em algumas sociedades, crianças com deficiência nem podem ficar vivas, pois é um atraso para a sociedade, pois elas não são capazes de gerar renda, de cooperar com o sistema, não irão participar ativamente na sociedade”, dizem alguns capacitistas, e o pior, alguns sabem o que estão falando, e outros nem tem ideia de que isto se trata de preconceito e crime.
Hoje, já conhecemos várias histórias de pessoas com deficiência que se superam e se desenvolvem muito, como na ciência, na arte, nos esportes e lutas marciais, fazem faculdade e conseguem trabalhar, fazendo história no mundo. Demonstrando que tudo o que se fala sobre pessoas com algum tipo de deficiência, além de não ser verdadeiro, ainda se trata de capacitismo!
Mas afinal, o que é o capacitismo?
É uma forma de discriminação que se manifesta por meio da desvalorização, exclusão ou tratamento diferenciado em função da deficiência, e é considerado crime na legislação brasileira.
O termo “capacitismo” deriva da palavra “capacidade” e está relacionado à ideia de que certas habilidades físicas, cognitivas ou sensoriais são superiores a outras. Essa visão reforça uma ideia de que elas são inferiores ou menos capazes.
Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, em seu artigo 88, que: Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Desde atitudes e comentários aparentemente inofensivos, até práticas institucionais discriminatórias, o capacitismo pode se manifestar de diversas maneiras.
Por que toda a sociedade precisa saber disto, e não só os familiares e pessoas próximas e cuidadores ou cuidadoras das pessoas com deficiência? Porque é uma responsabilidade coletiva. A inclusão de pessoas com deficiência de forma igualitária, não apenas melhora suas vidas, mas também enriquece toda a sociedade, promovendo diversidade e equidade.
Combater o preconceito é sobre combater ideias e não combater pessoas. Combater a falta de compromisso do setor público, em aplicar as políticas públicas de inclusão, como também, de acompanhamento, em caráter permanente, requer muito de nós, que vivemos e convivemos no dia-a-dia de pessoas tão especiais e capazes de nos surpreender, quase sempre, com suas forças e vontade de tirar da vida o que ela tem de melhor.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) nº 13.146, de julho de 2015, reconhece os direitos das pessoas com deficiência; A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela ONU em 2006, define o conceito de “Pessoa com Deficiência”. Temos no ordenamento nacional e internacional, regras claras para enfrentarmos o desafio de cuidarmos dessas vidas tão dependentes de nossas doses de carinho, fraternidade e inclusão na vida social.
Além de sonhar, luto com todas as minhas forças e garras, para ver um dia, a solidariedade como forma de aceitação das condições de cada cidadã e cidadão que vivem a deficiência de um sistema de convivência preconceituosa e que teima em não incluir o diferente.
Capacitismo, nunca!
Por Carlo Bandeira e Adriana Kelly Paes Lira